domingo, 16 de novembro de 2008

A PULSEIRA MÁGICA!

30 anos depois ele voltou à praia das rochas onde tinha estado com alguém de quem nunca mais soubera o paradeiro. Nesse dia longínquo essa pessoa tinha-lhe feito uma pulseira em cabedal, entrançada, tão bonita como ele nunca vira.

Ele recordou que nesse dia tinha posto uma pergunta a essa pessoa, mas ela em vez de responder disse-lhe para ele escrever essa pergunta na parte mais larga da pulseira de cabedal e lha devolver... então, ela escreveria a resposta por baixo, colocaria a pulseira num orifício de uma das rochas que lhes dava sombra naquele dia quente e quando ela se ausentasse ele poderia lá ir tirar a pulseira feita por ela e descobrir a resposta...

Ele concordou e ansiou que chegasse a hora de ir ver a resposta... ao fim da tarde ela foi embora e ele esgueirou-se rapidamente para a rocha até porque a maré estava a subir... mas qual não foi a desilusão, a água subira muito depressa e as ondas levaram consigo a pulseira de cabedal entrançado que ela fizera para ele... com uma resposta de vida lá escrita!

Naquele tempo não havia telemóveis nem as deslocações eram tão fáceis como hoje! Eles nunca mais se viram, o desgosto acompanhou-o durante muitos anos, era como se a sua vida tivesse ficado pendente... mas o tempo - esse tempo rude, violento e implacável - (quase) tudo resolve e ele nunca mais lembrou o episódio até esse dia em que pisou de novo as areias daquela praia.

A maré estava baixa, a rocha - a mesma rocha - estava lá! Sorrio para consigo próprio, e de repente foi como se recuasse 30 anos na vida... espreitou para o orifício assinalado há tanto tempo, descortinou qualquer coisa lá dentro... os seus dedos já eram maiores do que naquela altura mas conseguiu lá metê-los, puxou uma coisa castanha escura, mirou-a na sua mão e descortinou a pulseira que a água tinha levado há muito tempo... apressou-se a virá-la e a tentar perceber umas letras muito sumidas... a resposta chegara 30 anos depois... ele sentou-se na areia e apagou dois terços da sua vida...

3 comentários:

Bichodeconta disse...

E vai ter tanta pena de tudo o que deixou de viver.. Porque o tempo passa e não retrocede o caminho...

mariam disse...

estória d'amor a "tocar" os clássicos!
gostei muito!
quem sabe não se cruzam em qualquer lugar num qualquer dia ... olhe que essas coisas acontecem! de verdade!
já me aconteceu algo parecido!


sorrisos :)

Filoxera disse...

Gira, esta história!
Também publiquei uma história, real, de há muitos anos.
Beijos.