segunda-feira, 29 de setembro de 2008

TORTO QUE TORTO VÊ, DIREITO LHE PARECE!

Ele tinha os olhos tortos. Já nascera assim, com um olho a olhar para cima e o outro olho a olhar para baixo. Os médicos não conseguiram fazer nada, apesar das operações a que foi submetido. Situação que não lhe tirava uma vida praticamente normal. Tirou o seu curso técnico, arranjou um emprego e agora só faltava mesmo uma família...

Ele trabalhava numa clínica de mamografias Dezenas de mamocas passavam-lhe pelas mãos todos os dias, mas literalmente pelas mãos, pois ele tinha que lhes pegar, ajeitá-las e colocá-las na prensa... a maioria das mulheres sabe como é... e depois dizer para se porem de frente e em seguida de perfil!

Todo o tipo de mamocas lhe aparecia ali, umas bem pequeninas, outras pequenas, outras médias, algumas grandes, outras enormes e outras ainda volumosas. Todas ele manuseava com o mesmo profissionalismo, afinal era a profissão dele, não podia misturar as coisas. Mas sempre sonhou que um dia lhe apareceria uma donzela com os peitos perfeitos por quem ele se apaixonasse...

Um dia apareceu por lá uma moça que a natureza não bafejou com a sorte de ter duas mamas iguais: o biquinho de uma apontava para cima, o biquinho da outra apontava para baixo... mas para o jogo de olhos dele aquela sim, era a perfeição, chegara a mulher por quem ele tanto esperara... hoje vivem os dois muito felizes e tiveram muitos filhos - felizmente nenhum dos rapazes com os olhos tortos e nenhuma das raparigas com as mamocas desencontradas...

2 comentários:

mariam disse...

oh!Alex, tão "gira" esta estória!

todos teremos estórias da diversidade, da diferença...deixo-lhe uma bem agradável, com uma pessoa que por umas horas se cruzarou comigo...

+- à 8 anos, encetei a minha grande viagem de expresso... de Lisboa a Alfândega da Fé, sozinha, ia ter com amigos, como raramente ando de autocarro e sou uma enjoadinha, a fim de poder olhar a estrada, pedi para ir no lugar dos deficientes/grávidas, responderam-me que sim, se não estes não aparecessem para os ocupar. Olhando de fora, segundos antes de partir, apenas um dos lugares estava ocupado por uma senhora, então o condutor mandou-se entrar e sentar no lugar vago. Sentei e com dificuldade contive o riso olhando para as minhas pernas e para o lado, os meus joelhos tocavam a protecção à nossa frente, ao meu lado eram uns pezinhos que a tocavam... pois é, ao meu lado eu tinha uma anã.
Durante 1 h estivemos em silêncio, depois eu comi uma pastilha e ofereci, ao que ela aceitou e começou a falar comigo... a viagem durou 7 h com uma ligeira paragem para almoço, onde eu ajudei a minha companheira a descer e fomos almoçar juntas...olhadas de soslaio pelos outros ocupantes do autocarro... nunca mais esqueci estas 7 horas, foram das mais agradáveis que passei em termos de dialogo e camaradagem, trocamos ideias e comida. Ela era fantástica, a conversa era tão animada, dei por mim a confidenciar-lhe coisas da minha vida e ela, com sua voz grave (sim,era uma voz normalissima) ela me confidienciou também entre outras coisas, que tinha mais 6 irmãos/irmãs, todos "normais", que tinha tido namorados, uns pequeninos iguais a ela, e também um "normal", mas que ela deixou, porque era possessivo... esta Senhora faz parte dos quadros de grande empresa de telecomunicações, e adorei conhecê-la.

os meus olhos passaram a ver melhor os homens e as mulheres pequeninas (apenas em tamanho) que por mim passam...

Alex, desculpe o alongamento, mas, olhe, apeteceu-me!

um grande sorriso :)

mariam

sofialisboa disse...

mas onde vais tu inventar estas historias??? esta foi mais que hilariante.sofia