quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O MISTERIOSO ROUBO DA ANTENA DO AUTOMÓVEL!

Ele entrou no carro como fazia todas as manhãs e ligou o rádio para ouvir o trânsito e o tempo... como fazia todas as manhãs! Mas nessa manhã o rádio começou a fazer umas interferências esquisitas e incómodas, de tal modo que o impediu de perceber como estava a fluir o trânsito na zona para onde ia e que tempo faria ao longo do dia... Estranhou e antes de entrar na auto-estrada parou o carro na berma, abriu a porta e espreitou para o tejadilho: franziu o sobrolho... e tal como suspeitou, alguém tinha roubado a antena do carro!

«Ora, isso não se faz!», pensou ele, voltando para dentro do carro e dirigindo-se à auto-estrada! Quem rouba antenas de rádios dos carros merece ser bem amaldiçoado... Primeiro amaldiçoou a marca do carro: «porque razão não faziam antenas fixas para aqueles modelos?»... depois amaldiçoou quem lhe roubou a antena durante a noite... e mais ainda quando se viu bem no meio de um engarrafamento... acidente, de certeza, pensou! E a falta do rádio em boa frequência foi o responsável por ele ter sido apanhado no meio daquele tumulto...

E foi mesmo acidente: duas horas depois chegou ao local do dito e reparou que o carro acidentado - embora quase irreconhecível - era igualzinho ao seu. Era a única viatura, portanto parecia ter-se tratado de um despiste, mas de um valente despiste tal o estado em que tinha ficado o automóvel... será que tinham havido muitos mortos, ou só feridos, ou o condutor e os passageiros teriam escapado ilesos???

Curioso como era resolveu parar o carro e perguntar... cedo se apercebeu que o condutor - e único viajante no carro acidentado - tinha miraculosamente escapado sem ferimentos de maior, mas o carro, esse estava completamente destruído e irrecuperável (um carro com uma matrícula acabada de estrear, até fazia dó, ainda por cima o indivíduo só tinha seguro contra terceiros, portanto, adeus pópó!)...

Houve apenas uma coisa que escapou em bom estado... Ele olhou para o objecto e depois para o indivíduo do acidente e perguntou-lhe quanto é que ele queria por aquele objecto já que não iria precisar dele... e o indivíduo encolheu os ombros e respondeu: «olhe, fique com ela, afinal eu não paguei nada pela antena...»!!!

6 comentários:

Pekenina disse...

Ao menos ninguém ficou ferido! E ao menos ficou com a antena :P

Sei que existes disse...

Pois... Acabou por recuperar o que lhe pertencia...
Beijo grande

sofialisboa disse...

adorei! sofia

Bichodeconta disse...

Magnifica história Alexandre..Tenho a certeza de que um dia nos vás presentear com um livro onde cabem essas histórias deliciosas e sobretudo bem construidas.. Sagradas as mãos que falam, sagradas as tuas mãos que tão bem escrevem..Um beijinho, ell
Pois é, e está ai o fim de semana, aproveita que o bom tempo está a finar-se eheh.

looking4good disse...

Muitas possíveis interpretações e ilacções:
i) Afinal o que se pensa ser um grande azar nada é perante outras situações bem piores
ii) Há males que vêm por bem - permitiu a obtenção gratuita da antena-
iii) Ah nada disso! O homem roubara a antena e o acidente foi Castigo de Deus.
iv) Generosidade de alguém mesmo afectado por grande inconveniente
Uma conclusão é certa: uma história simples que dá prazer ler, o que significa que foi muito bem escrita. Um bom fim de semana.

Lia disse...

És um verdadeiro"contador de histórias"!:0))))
Um beijo*