sábado, 2 de fevereiro de 2008

BOM DIA, LAGARTIXA!

Descobri que um amigo meu sempre que se deslocava ali para os lados de Tomar em trabalho, fazia um desvio pela vilazinha de Atalaia, onde ficava uns minutos. Perguntei-lhe repetidas vezes o porquê daquele desvio e ele respondeu-me sempre com um sorriso... E nunca o disse abertamente! Apenas abriu um pouquinho o véu esclarecendo que ia ali desejar bom-dia a uma pessoa muito especial! Estranhei, pois sabia que a namorada dele não vivia para aqueles lados...

Mas como toda a gente tem direito aos seus segredos, respeitei-o e nunca mais insisti para que me esclarecesse o enigma! Só que o espírito humano é dotado de uma grande curiosidade - senão não teríamos chegado onde chegámos - e não descansei enquanto não deslindei o mistério. Fiz uma maldade: um dia seguiu-o com muita discreção, reparei que ele parou o carro perto da bonita igreja da Atalaia, vi-o sair, fechar a porta e pensei que ia entrar na igreja. Mas não, até porque a porta da frente da igreja estava fechada. Ele dirigiu-se para o lado direito, passou por baixo de um pequeno arco e a minha imaginação pôs-se a funcionar a 100 à hora: agora apareceria ali uma mulher especial, quiçá vestida de branco e lhe diria numa voz melodiosa «bom-dia»! Mas não, nada disso aconteceu, de longe ouvi-o falar sozinho mas não percebi o que disse. O encontro durou poucos minutos, uns 2 ou 3 possivelmente.


De regresso ao carro, fechou a porta, colocou o cinto de segurança e arrancou. Não me viu. E em poucos segundos eu estava
na lateral onde ele tinha estado: olhei em volta e não vi ninguém, nem vestígios de que alguém ali estivesse estado, além do meu amigo. Franzi o sobrolho, já pensando que o stresse desta vida de correria tinha alterado a sensatez ao meu amigo quando vejo um pequeno bichinho - uma lagartixa assomar por debaixo da parede branca da igreja. Ali ficou especada, olhando para mim com o maior dos à-vontades... Pensei que ela fugiria quando me viu. Mas não fugiu, até saiu mais um pouco da sua toca e ali ficou a mirar-me, como se me desejasse «bom-dia». Acho que falei com ela e de certeza que ela entendeu porque fez um pequeno gesto como a dizer «vá, agora vai e faz boa viagem»...

A partir desse dia a igreja da pequena vila de Atalaia é também paragem obrigatória para mim quando me desloco ali para aqueles lados. E chova ou faça Sol lá está a minha nova amiga a espreitar e a desejar «bom-dia». Alguém que nunca me decepcionou até hoje! Ah, esquecia-me de dizer que nunca confrontei o meu amigo com a descoberta do seu segredo... É que agora este é também um segredo meu... Ou era, acabei de o partilhar convosco!



Aqui fica a foto da minha nova e fotogénica amiga!

Espero que gostem dela!

10 comentários:

Bichodeconta disse...

Ainda bem que há mais pessoas que tal como eu, gostam de bichos, de lagartixas também... Os segredos, são um tesouro, mas mesmo partilhados continuam a fazer parte de nós.. Um beijinho envolto em serpentinas..

Blue Velvet disse...

Que estranho: tenho horror a tudo o que rasteja, seja gente, seja animal.
São dos poucos animais de que não gosto nem de ver fotografias.
Pois fiquei deliciada com a história, até comovida, e com vontade de também eu ir dar bom dia à lagartixa.
Beijinhos e bom domingo

elsa nyny disse...

Alex!!!

Que história linda!!!
Adoreiiii!

Bjtssssssss

Paulo Sempre disse...

Uma história com "segredos" de lagartixa. Houve um tempo em que os animais falavam...
Gostei de partilhar a história.
Abraço

Vieira Calado disse...

Vou contar-lhe também uma:
Quase à entrada da minha casa (que fica nos arrebaldes da cidade, quase campo), vi no asfalto o que me pareceu ser uma cobra muito jovem. Ia apanhá-la e atirá-la para o canteiro, quando me apercebi de que se tratava duma jovem víbora!
Conhece-se, pela cabeça.
Era perigoso apanhá-la à mão.
Fui buscar um pano a casa, agarrei-a e atirei-a para onde a jovem pudesse governar a vida - o vasto canteiro das flores!
Contei a várias pessoas o sucedido, e fui criticado!
Mas se voltasse a acontecer, faria o mesmo.
Um forte abraço.

Marta disse...

Uma história comovente, Alex...
Quanto a segredos, tenho a certeza que a tua nova "amiga" os guardará...o que os verdadeiros amigos devem fazer...
Beijos e abraços
Marta

mcorreia disse...

ah! e os ratos?! ratazanas lustrosas que resolveram invadir-me o quintal e ao que constei dias depois, os das minhas vizinhas! Ora eu andava deliciada da vida vendo o corropio daquele ratito (cuidadva ser apenas UM!...) que devorava os restos do meu cão e lhe provocava latidos arrepiantes, modo como fui alertada, e tentaivas de caça pelo digno cão que honra a sua herança de caçador espoezinhada pelas tinas de comida que, como fera doméstica, lhe dou. Ah! as minhas vizinha s andavam furibundas com uma palmeira que, diziam, criava os ratos que lhe invadiam a casa 8exagero delas!9 e eu deliciada vendo os saltos do meu cão e as fintas que a ratita lhe fazia encontrando no mais inamaginado recanto (que eu nem cuidadva que existiam no quintal!!)esconderijo até à fuga final, parede acima numa agilidade que eu prazenteava
PS um dia apareceu morta no canteiro: coisas de guerras antigas pela subsistência...mas vaçourá-la ...eu ? credo! isso é que não!!
bom carnaval e cumprimentos à bichinha

mcorreia disse...

devorava os restos DE COMIDA, não do cão!!! rsss

Teresa David disse...

Achei a história verdadeiramente deliciosa e como travo bastante diálogo com os meus gatos que nunca me dão respostas desagradáveis! acho perfeitamente normal dar os bons dias a uma lagartixa, que certamente não responderá carrancuda ou para fazer jeito. Aliás existe muita gente que nem a lagartixa chega!!! Continua que começaste bem.
Bjs
TD

asardanisca disse...

E eu a pensar que te referias... a mim... ;)

kiss